sábado, 17 de maio de 2008

A psicanálise se propaga, se transmite, se trabalha???

"A psicanálise, sim, com certeza, se pode divulgar! Vulgarizá-la, criar demandas com ofertas a granel e no atacado, na mídia, e ao modo “quick” de nosso tempo, em todo canto e lugar. Basta acreditar na simples regra analítica como motor da transferência, basta acreditar no amor e na demanda que nunca há de cessar, já que o sujeito nunca fez outra coisa além de demandar! Aliás, só se constituiu e só pôde viver por isso!
Mas como e quando a psicanálise se transmite? O que dela se escreve?
O analista ex-siste ao saber do Outro, mas, mais ainda, ex-siste ao próprio saber, e é isso o que o distingue dos demais.Então se reúnem aqueles detentores de um saber com o qual não podem dialogar, para compartir um saber que não conseguem intercambiar.
Longe da problemática corporativista, vejam que tratamos aqui de uma questão estrutural, que tem implicações subjetivas para o analista.
Estar juntos para trocar um saber que não se pode trocar é paradoxal. Um saber rebelde à dialética da interlocução, só pode ser um saber não inscrito no Outro, como é o caso do analista que só o é em sua prática, em ato, quando não pensa.
E é este saber em ato, que não pensa, que aglutina os analistas -mas não é suficiente para identificá-los.
É talvez também o mesmo que os atormenta, o que os faz trabalhar e adoecer”.

Angela Porto,2007

Um comentário:

Beatriz Cândido disse...

Ângela,
Compartilhar um saber que não pode ser intercambiado só é possível quando, como no caso do analista, isso acontece em ato.
E, é fazendo de uma grande amizade um ato,que nos reunimos para estudar o texto psicanalítico.
Temos aprendido mais quando falhamos, tropeçamos, amamos.
Podemos, agora, publicar o texto que estamos escrevendo em nosso percurso...
Bj.Beatriz Cândido