terça-feira, 8 de julho de 2008

Transferência: co- incidência????Mágica?



Beatriz disse...
Colegas,

um dos aspectos iniciais da transferência, que sempre me chamou a atenção, é de como, no começo da análise e da vivência deste amor transferencial, os analisandos costumam se envolver com outras "teorias" sobre o sentido da vida e os determinantes do destino.
É muito comum, os clientes chegarem à análise trazendo, por exemplo, "mapa astral",ou narrando consultas com videntes, ou ainda falando de conversas com pastores,
médiuns, e ainda contando sobre "novenas" que iniciaram.
Atribuo essas "coincidências" à elaboração desse amor que começa a surgir.
O analisando se pergunta;
'qual a natureza da experiência que estou vivendo?'
"da onde vem o conhecimento e o sentimento que estou experenciando?
É, ao mesmo tempo, defesa e entrega. É depuração.
É começo de trabalho de análise.
E, dessa forma, ele vai se colocando de uma forma inédita, que a princípio parece mágica.
É bonito!

4 de Julho de 2008 05:39

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A intersubjetividade não seria aquilo que é o mais estranho ao encontro analítico?




O que Lacan estaria indicando com esta questão? Havia ele se referido à história de amor entre Breuer e Anna O. Observou que a modo do “amor burguês”, o retorno fervoroso de Breuer ao aconchego conjugal, reanimado até, após uma viagem urgente a Veneza e o posterior resultado de um bebê acrescentado à família, foi a prova inconteste de que Breuer teria se envolvido demais com sua paciente...Lacan até observa que não se deve ironizar este tipo de “acidente”, pois eles revelam uma “incúria do coração” que combina bem com a abnegação na qual se inscreve o dever burguês. Ele também chama a atenção para o fato de que, se Breuer resistiu ou não, isso não é importante. O que ele enfatiza é o susto que o pequeno deus Eros passou em Breuer, abatendo-o e fazendo-o abdicar de sua função incipiente como analista. Do que ele fugiu, foi do que Freud se deixou apossar! “Servir a ele para servir-se dele”. Falo de Eros, o amor.
Se o amor é algo de que se servir em análise, a que ele irá servir?
E Lacan brinca com intersubjetividade para dizer: “O médico e o paciente, como se diz para nós, essa famosa relação da qual tanto se escarnece, irão se subjetivar em benefício de um deles? Talvez, mas pode-se dizer que nesse sentido ambos não vão muito longe”.
Esta relação estará condenada a não levar a nada, no que tange à possibilidade de análise. É preciso adiar e reservar a intersubjetividade sine die, para que apareça uma outra captura, a de ser essencialmente transferência.
Servir a ele, para servir-se dele.
O amor em psicanálise é a transferência.
E lembra, com graça, Lacan: “A análise é a única práxis na qual o encanto é um inconveniente.Quebraria o encanto. Quem já ouviu falar num analista encantador?”
Angela Porto